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quarta-feira, 2 de março de 2011

14 de janeiro de 2009

No dia 14 de janeiro de 2009, Maria Rita (minha filhinha) já tinha nascido e minha vida passou a se dividir entre Associação Chico Viale (que era uma "entidade bebê") e ela que era um nenê. Neste dia fiquei me perguntando sobre um rumo para a minha vida e dois anos, depois do primeiro email pedindo sangue para o Francisco, a Jane do HEMORGS, ligou pedindo ajuda à Associação, porque os estoques de sangue estavam quase zerados. Nossa! Lembro que fiquei toda arrepiada na época! Era esta a minha missão de vida: ajudar os outros, sem saber a quem. Apenas pelo prazer de ajudar. Isto é muito legal!!!

domingo, 13 de fevereiro de 2011

19 de março de 2008 - dias quentes, noites frias

Quando meu irmão se acidentou cortei o cabelo. Optei por deixar minha vaidade de lado. Agora leio num livro sobre taoísmo, que devemos raspar a cabeça e acompanhar a confiança crescendo junto com os fios de cabelo.

Talvez estes detalhes sejam o verdadeiro significado do viver. Cavar o buraco para montar a barraca, que nos garantirá um sono seguro. E não olhar à frente e imaginar grandes pirâmides. Não sei quem as construiu, mas a próxima não será construída por mim.

Talvez minha vida, a partir de agora, seja tocar a Associação Chico Viale. Para isto preciso vencer minha pior inimiga: a ansiedade.

É ela que me arruina. Ela é minha carrasca, a que me impede de progredir. A que me faz desistir por não saber. Em tudo ela me atinge. Estou mais consciente disto. Não posso mais aceitá-la como companheira. Preciso educadamente despachá-la ou então irei continuar me atrasando.

Se faz necessário respirar fundo mais vezes. Para que a circulação do sangue e dos pensamentos se regularize. Assuma comportamentos normais. Estou lembrando mais vezes disto tudo. Talvez já seja um grande passo. Ansiedade é mania, euforia, falsa alegria. Não gosto de nada disto. Gosto de paz, de ficar quieta. Gostou mesmo. Tenho pavor de agitação. Nossa! Como eu mudei!

Estou percebendo que é um erro dizer que conscientizamos. Nós apenas temos a capacidade de informar. Conscientizar é um processo particular, individual.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

08 de março de 2008

Tive que renovar a carteira de motorista. Duas palestras no Detran, de São Chico. Falaram em acidente, direção e cansaço, sono... criei coragem e pedi para falar sobre a Associação Chico Viale. falei sobre o acidente, sobre cidadania, como se sofreu e como se ajudou. Depois distribuí os adesivos.

Os jovens adoram ter atitude e direção defensiva é uma questão de atitude!

ainda janeiro de 2008

Tenho chorado e não tenho vontade de fazer nada. Estive no Dr. Cesar (meu médico) e ele explicou que meus sintomas devem-se à memória das células. As células registram sensações de traumas fortes, do nosso comportamento e ali, ficam marcadas, então quando os ciclos se completam, as sensções voltam. Se em janeiro de 2007 eu estava estressada , com dor de cabeça, febre e outros sensações, provavelmente eu repita estas em janeiro de 2008. E tudo acontece sem mais nem menos. Ele ainda me contou sobre a experiência de um médico transplantado que recebeu o coração de uma outra pessoa e passou a ter sensções próprias do dono do coração.

Na internet achei " Assim como as células guardam memória das atividades, que realizam, podem reter na memória celular do corpo 'impressões' de medos, traumas, emoções captadas desde antes do nascimento até a fase atual, além de padrões mentais e comportamentos limitadores, potenciais e talentos inteiros ainda não reconhecidos".

Sugestão de livro: "Memória das células", de paul Pearsall (Editora Mercuryo).

27 de janeiro de 2008

João, meu marido, corou dois dedos na serra circular. Fiquei apavoarada quando vi o sangue. Perdi o controle. Não sei se é um pós-trauma do acidente do Fran. Um ano depois e continuo apavorada, tensa. As costelas travam. Falta o ar. Ver o João machucado reacendeu a idéia de que a morte caminha com a vida.

Preciso retomar os trabaalhos da Associação Chico Viale, mas tenho medo. Me doí muito ficar lembrando do meu irmão. Mas também não posso somente ficar me justificando.

Começando o ano de 2008

09 de janeiro de 2008 - o Francisco hoje estaria fazendo 29 anos. É muito louco pensar na virada que nossas vidas deram em um ano. Sinto muita saudade dele, mas sentir que ele está bem, sem sofrimento me conforta.

Conversei muito com as minhas tias (Tere, Cida, Gorda e Zozó) sobre a época do acidente. Temos esperança de que voltaremos a ser felizes

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Para quem está chegando agora...

Pode parecer estranho entrar no blog e ver tudo relacionado à 2007. Para quem não pegou as postagens iniciais, estou postando a história da Associação Chico Viale. Registrando todos os fatos e reflexões destes últimos quatro anos. Saiba mais acessando os links "Associação Chico Viale: o milagre aconteceu".

terminando do ano de 2007

Eu acredito em Deus. Apesar de ter odiado Ele nos últimos tempos.

22 de dezembro de 2007 - morre Norton Nascimento

Norton Nascimento, ator, morreu aos 45 anos. Em dezembro de 2003, Norton Nascimento submeteu-se a um transplante de coração para corrigir um aneurisma de aorta.



Na época, o ator precisou de 73 doações de sangue, entre sangue, plaquetas e plasma. Recebeu um coração, doado pela família de um médico carioca que morreu num acidente de carro.

Nos seis meses de recuperação fez trabalhos em prol de comunidades carentes. Fez ainda uma campanha de doação de órgãos na Rede Globo. "Doar é amar", disse, na época.

Em 2001/2002, vi ele no bar dos Metralhas, em Canela. Um homem lindo, cheio de saúde, cantando e fazendo festa. Estamos todos morrendo?



13 de dezembro de 2007 - quinta-feira com sol e vento frio

Arrecadamos 64 bolsas de sangue, em São Chico. E cadastramos 129 doadores para medula óssea, em Gramado. As expectativas eram maiores, mas o negócio é seguir em frente. Todo este trabalho com a Associação tem me feito ver a vida com outro olhar. Estou experimentando algo mais leve, de intensidade diferente.

Família, amigos e equipe do HEMORFS: unidos por uma causa
Tenho que controlar minha emoção. Percebo que, às vezes, um umpulso de querer estragar tudo vem à tona e não posso deixar istoa contecer. A vida não é o que sempre sonhei e nunca será. Preciso aceitar isto e viver o que tenho da melhor maneira possível.

Conheci três peruanos, que trabalham com captação de doadores de sangue no Peru. Eles estão participando de um intercâmbio entre os Ministérios da Saúde para trocar experiências na área do sangue. Eles não têm hemocentros, mas bancos de sangue. Precisam buscar as pessoas e levar à Lima. Não existe uma mobilização da sociedade civil. Quando eles me perguntaram qual era o melhor marketing, eu disse "é o olho no olho. A informação passada de frente, olhando no olho, de quem pergunta, gera segurança". A Marilu me abraçou pelo que eu disse. Falou que eu percebia a vida de maneira diferente.

Minhas tias vieram. Até a tia Maria Clara (tia-avó). Foi muito bom! Todo mundo ajudando, conversando, cadastrando, servindo lanche, doando sangue. Pena que passou rápido demais.

Tocar a vida é amlehor coisa que posso fazer...

01 de dezembro de 2007

Teremos cadastro de doador de medula óssea, em Gramado, no dia 11 de dezembro. E doação de snague, no dia 13 de dezembro, em São Chico. Tô atucanada!

27 de novembro de 2007

Vamos fazer um cadastro de medula óssea, em Gramado. Nunca pensei que isto fosse importante. Marilu esteve me explicando a necessidade de aumentar o número de prováveis doadores cadastrados, que a chance de se ser compatível com alguém que precisa é de uma em cem mil (!).

Falei com o Bira, secretário da Saúde de Gramado, e daremos o cadastro na secretaria da Saúde. Amanhã preciso ver a sala, outros detalhes e divulgar. Será que as pessoas irão participar? Elas chegam aqui com carteira de identidade, prenchem um questionário, assinam e coletam emtorno de 10ml de angue. Este sangue vai para análise, onde são levantadas as carcterísticas genéticas da pessoa e depois bate-se com as características de todas as pessoas que precisam de um transplante. Se houver compatibilidade, o doador é chamado. Fácil né? Acho que não. Se fosse as pessoas participariam mais. Ou não?

24 de outubro de 2007 - quarta-feira

Doação de sangue no Hotel Serrano, em Gramado. Toda doação de sangue deve ter presente (de plantão) um médico e três técnicos em enfermagem. Sempre. O tempo todo.

Cá estou na doação de sangue, a terceira que organizamos. Mais mulheres que homens atendem ao chamado. As pessoas se movimentam melhor à tarde, participam mais. As pessoas mais simples são as que mais doam.

Coletamos 100 bolsas de sangue e 80% destes doadores estavam doando pela primeira vez. O objetivo da Associação Chico Viale está sendo alcançado: formar doadores de sangue.

Recomendaram-me a leitura do livro "A Saga das Mãos", de João Carlos Martins. A Gorda, minha tia, disse que a Associação está fazendo bem a muita gente, não só com o sangue, mas com a possibilidade de ajudar, de enxergar a vida de maneira diferente.

15 de outubro de 2007 - segunda-feira

Martha Medeiros escreveu: " Os que não têm muita resistência saem atropelando, cortando relações, dramatizando o que não é tão dramático assim. Depois mergulham em longas depressões e custam a voltar à tona. Já os mais resistentes sabem que nada é tão sério nesta vida, a não ser ela própria, a vida, e tratam de aproveitá-la com mais serenidade e com paciência de adulto".

27 de setembro de 2007

Dia Nacional da Doação de Órgãos, dia de São Cosme e São Damião.

06 de setembro de 2007

Prometi nunc amais voltar àquele hospital, em Caxias. Fui muito triste lá. Mas ontem tive que voltar para buscar o prontuário do Francisco. Mesmo depois de morto, os papéis são necessários! Trinta e três páginas contando o dia-a-dia dele. Chorei ao pisar no hospital. Chorei lendo o prontuário. Chorei lembrando meu irmão.

27 de julho de 2007

Ontem na doação de sangue aconteceram inúmeros problemas. Fiquei muito chateada, apesar de tudo ter sido contornado. Ficou uma sensação de amadorismo. Até para ajudar é preciso saber fazer.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

26 de julho de 2007 - quinta-feira

Jornal de Gramado sempre ajudando

Doação de sangue com o HEMORGS, em Gramado. Recebemos doações de todo tipo: dinheiro, voluntários, parceria na alimentação. Foram 72 bolsas de sangue coletadas no dia mais frio deste ano (a temperatura chegou a 0°).

Dé, Gorda e Betina - doadores de sangue
Gorda, Valéria e Cida - voluntárias e doadoras

Camisetas da Chico Viale - leve esta idéia no peito

Chico, Gorda e Tere - família que se uniu na causa pela vida

 

23 de julho de 2007

Eu e a Cintia estamos distribuindo os cartazes da doação de sangue do dia 26/07. Estamos tendo uma boa receptividade. O negócio é fazer.

Liberdade, Igualdade, Fraternidade: Associação Chico Viale

Não foi combinado. Eu nem lembrava do fato, mas o caso é que 14 de julho é Data Nacional na França: Revolução Francesa. Em 14 de julho de 2007, a Associação Chico Viale foi criada! Um belo ideal para uma vida inteira.

Criadora e criatura numa tarde fria e festiva
Contamos com a presença de aproximadamente 50 pessoas, grande maioria da família. Família esta que se mostra ainda mais unida, ainda mais coesa. O Francisco pelo visto, teve a missão do amor, distribuir e unir pessoas pelo amor. Amor este que vem na forma de reencontros e de sangue. O pessoal do HEMORGS veio.
Mais família

Família veio em peso

Me colocaram para apresentar a Associação e só eu posso dizer o que senti: foi uma emoção muito grande. Senti uma energia de bons e longos dias. Foi algo forte e consistente. Acho que todos choramos, que todos nos emocionamos com aquela energia tão intensa e sutil. O cine-teatro, no centro de cultural de Gramado parecia estar lotado. Acho que os anjos ocuparam os espaços que sobraram. Eu me sentia abraçada. Foi surpreendente!!! Com certeza meu irmão estava lá, brilhando.


E este é o Chico Viale, quem nos inspirou a começar este trabalho